domingo, 16 de março de 2014
Música versus Música descartável
Você Já ouviu falar em música “descartável”? Não? Bom, aqui eu trago algumas ideias que cabem muito bem nesta definição.
A música “descartável” sempre existiu! Contudo, até o século XVIII, os músicos tratavam a arte da música com tamanha seriedade que não havia espaço para aberrações. Aqueles que faziam música apenas para zombar da arte não eram considerados músicos!
Música “descartável” nada mais é que uma música feita para ser pura e simplesmente comercializada sem nenhuma preocupação de extrapolar valores sociais e humanitários. Foram feitas inúmeras peças musicais com este intuito na Antiguidade, mas essa era uma época de ouro, em que os músicos eram músicos de fato e prezavam pelo erudito, não obstante, muitos deles nem sabiam o quão grandiosos eram! É natural a cegueira da humanidade com relação ao presente. Bem aventurados são aqueles que conseguem enxergar o que está em vanguarda!
Obviamente, eu concordo que a música deve ser comercializada, pois, se não for, como viverão os músicos? Entretanto, é mister lembrar que depois das revoluções industriais, jamais a música poderia continuar com a mesma índole, levando em conta que esta é uma arte que expressa os sentimentos do artista, que, por sua vez, é reflexo do estado e aspecto da humanidade.
Podemos fazer uma simples análise diante de algumas vertentes musicais em suas épocas. Ouvindo uma música renascentista, barroca ou clássica, podemos perceber facilmente que nessas épocas os compositores transmitiam geralmente o aspecto da natureza, como o vento, os pássaros, o mar, etc. Com a chegada do século XVIII, houve uma mudança estupenda por conta da revolução industrial, que influenciou o comportamento da humanidade e, por fim, a mudança estética da arte.
Os instrumentos deixaram de ser acústicos, tomaram novas formas e... Orquestra, o que é isso? “Sei mesmo o que é uma banda!” Muita gente até já teve a ousadia de me dizer que “não há necessidade de um maestro numa orquestra, pois ele faz o que qualquer um pode fazer!” Então, realmente tudo está mudado, até as cabeças das pessoas (santa ignorância!).
A música atual é barulhenta, distorcida, e... tome decibéis no pé da orelha! Esta é uma característica marcante da industrialização e da vida de qualquer sociedade atual. Estamos vivendo em tempos de velocidade; a cada minuto aparece uma grande novidade. Vivemos numa correria jamais vista; assim, temos mais uma nova música!
A música não ficou mais pobre, nem houve regressão em nenhuma das artes, como muitos críticos pensam. Os virtuoses são ainda maiores. Então, o que houve realmente foi transformação! Oh, fenômeno constante e difícil de entender!
Música é coisa séria. É arte. A arte influencia a personalidade e o intelecto das pessoas. Por isso a música deve ser feita com seriedade. A música deve ser erudita, independentemente do estilo. Só assim ela será bem elaborada e sincera.
A música “descartável” é lançada hoje e esquecida amanhã. Os amantes desta espécie de arte, não amam nada! Apenas vivem um momento vão, porque não tiveram instrução sobre algo tão sério e tão presente na vida de qualquer ser humano como é a música. Aliás, esta falta de instrução atinge muitas das áreas de conhecimento e ação do ser humano. São desinformados ou influenciados por um poder abominável. Seria imprudente, antiético e nada sapiente criticar apenas a maneira de se fazer música nos dias de hoje, uma vez que tudo isso está em sintonia com o mercado moderno em que compramos, vendemos, trocamos e vivemos; sim, vivemos, onde tudo é “descartável”! Daí vem a ideia de que a música, assim como todas as artes, realmente transmite o estado e ou aspecto contemporâneo da humanidade.
A globalização faz o mundo correr na velocidade da luz. Os músicos pobres de espírito fazem a música de momento, “descartável”! Mas os eruditos de hoje fazem música veloz; porém, sincera, concreta e eterna.
Tradução da Cifra Antiga
Utqueantlaxis
ResonareFibris
Mira gestorum
Famulituorum
Solve polluti
Labireatum
SancteIoannes
Tradução: Para que nós, servos, com nitidez e língua desimpedida, o milagre e a força dos teus feitos elogiemos, tira-nos a grave culpa da língua manchada, São João.
sábado, 28 de setembro de 2013
O Samba Canção
O samba-canção, gênero que mais marcou a década de 1940, também era chamado de música de meio de ano, por tocar fora dos meses em que imperava o carnaval. Esse gênero deixa para trás a simplicidade de Noel Rosa para retornar ao sentimentalismo pesado, com sentido de derrota e fracasso, amores perdidos e dor de cotovelo. Entre muitos nomes, destacamos os de Ary Barroso Ataulfo Alves, com suas inesquecíveis músicas Ai, que saudade da Amélia e Atire a primeira pedra.
O intérprete suplantava o compositor, pois teria de ter voz potente e aparência. A plateia, maioria feminina e de camada sociais mais pobres, transformava os artistas em ídolos. O prestígio das cantoras era grande. Nesse período, surgiram as chamadas cantoras de rádio, Marleninha e Emilinha Borba, Ângela Maria, Dalva de Oliveira, as irmãs Linda e Dircinha Batista, Dóris Monteiro e Dolores Duran. As fãs eram chamadas de macacas de auditório.
Entre os homens, destacavam-se Ataulfo Alves, Carlos Galhardo, Silvio Caldas, Adoniran Barbosa, Lamartine Barbo, João de Barro, Orlando Silva, Mario Lago, Francisco Mattozo, Zé Kéti, Geraldo Pereira e Pereira Matos.
O samba e a marcha
O samba nasceu em meio aos cordões e blocos de carnaval, inicialmente chamados de entrudos. Entretanto, a palavra samba tem origem na umbigada (batida com o umbigo) e quer dizer requebro, batuque. Aos poucos, a música dos entrudos foi tomando uma nova forma, com rítimo menos sincopado para facilitar os desfiles, e expandiu-se logo, tornando-se popular e sobrepujando o maxixe.
A música pelo telefone, de Donga e Mauro Silva, considerada o primeiro samba gravado, já nasceu cercada de polêmica: segundo os historiadores, ela é uma mistura de samba de terreiro com ritmo maxixado e possui quatro linhas melódicas distintas. Na época, acreditava-se que tinha sido composta em uma roda de samba que acontecia na casa da baiana Tia Ciata. Dessa forma, Pelo Telefone teria sido composta coletivamente, integrando influências de canções e cantigas folclóricas. Entrou para a história, contudo, como o primeiro samba gravado, com a autoria de Donga e Mauro Silva. Esse fato aconteceu em 1917.
A marcha, contemporânea do samba, teve uma infinidade de variações: marcha, marchinha, marcha-rancho. A marcha-rancho surgiu paralelamente à marcha e à marchinha, diferenciando-se destas pelo andamento mais vivo, pela letra maliciosa ou irônica. A primeira marcha a ser gravada na década de 1930 foi A Jardineira, Joubert de Carvalho. Outras marchinhas, marchas e sambas da época: As pastorinhas, Máscara negra, Pierrô apaixonado, Ô abre alas, Palpite infeliz.
segunda-feira, 5 de agosto de 2013
Assinar:
Postagens (Atom)